Era
setembro. Primavera.
O táxi parou
em frente a um sobrado de cor clara com vasinhos de flores coloridas nas
janelas; como todas as outras casas e casarões daquela pequena cidade - escondida
no interior do interior, num lugarzinho do mapa onde ninguém presta muita
atenção - de jardins bem cuidados, pequenos arbustos nas calçadas, portõezinhos
de madeira, o céu tão azul, o ar tão puro. Aquela era a Pequenaparis, que tinha
até réplica da Torre Eiffel na entrada da cidade. Um lugar ideal para se relaxar,
livrar-se do stress que a pressão do seu emprego chato estava lhe causando -
trancada o dia todo dentro daquele escritório, com pessoas chatas e mesquinhas,
fazendo qualquer coisa para subir na vida, qualquer coisa mesmo. Sem falar nas
brigas constantes com a mãe, as provas da faculdade e o seu casamento marcado
para o próximo final de semana. Diva precisava mesmo de uns dias de folga, dar
um tempo. Estava cansada. De tudo. Da vida até, ela diria se alguém
perguntasse, mas não queria que perguntassem. Só estava mesmo procurando um
pouco de paz. De alegria, um pouco de sentido para a sua vida tão sem graça.
Ela olhou
novamente o sobrado à sua frente e sentiu o coração bater forte: aquela era a
casa da sua avó. A avó que só viu uma única vez, quando tinha dez anos, no
enterro do avô, e depois disso nunca mais. Mas agora, onze anos depois queria
mudar isso. Queria que a história fosse diferente: antes de ir, escreveu uma
carta para avó contando que iria se casar e que gostaria de lhe entregar
pessoalmente o convite de casamento, e já que o noivo estava no exterior
fazendo um estágio iria sozinha. A avó lhe respondeu por telegrama dizendo que
as portas estavam abertas. Diva arrumou as malas, chamou um táxi e saiu sem
explicar nada para a sua mãe sobre a viagem, mesmo porque sabia com toda a
certeza que sua mãe não lhe apoiaria. Mas como sempre havia pensado: não tinha
culpa nenhuma se um dia a avó e a mãe brigaram e não se falavam mais. Ou talvez
tivesse como a sua mãe lhe dissera uma vez: se ela não tivesse nascido... Mas
não queria pensar nisso agora, não era para isso que estava ali. Sempre sonhou
com aquele momento: o reencontro com a avó. Mas a correria do dia a dia e mesmo
a falta de coragem lhe impediam de tomar essa decisão. Tinha medo de como poderia
ser. De como a avó lhe receberia. Mas agora, não dava mais para voltar atrás. Desceu
do carro, respirou fundo enchendo-se de coragem e abriu o portãozinho de
madeiras pintadas de brancos, atravessou o jardim florido e tocou a campainha.
A porta logo se abriu e uma senhora um pouco curvada pela idade, frágil como
uma bonequinha de porcelana, de cabelos grisalhos, alta e bem magrinha com o
mesmo brilho nos olhos que vira na primeira vez em que se encontraram e o mesmo
sorriso largo e acolhedor lhe recebeu.
- Diva,
minha neta! – e abriu os braços, dando-lhe um abraço confortador.

Linda história e bom quando revemos pessoas que vimos na infância, e maravilhoso poder dar um abraço caloroso. amei bjos. Marcia de Lima Sousa.
ResponderExcluirParabéns minha flor, vc é muito abençoada! Vou lê esse livro até o fim! Obrigada, Amei bjs!
ResponderExcluirAiiiiiiiiiiiii, que delícia esses comentários!!!!
ResponderExcluirObrigada por me visitar!!!!
Beijos!!
Adoroooo! Me sinto privilegiada por já conhecer a estória.....
ResponderExcluirMinha irmã, como você não seria uma das primeiras a conhecer se sempre foi uma das pessoas que mais me incentivou?
ResponderExcluirBeijos!!!