sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Capítulo 1 - 1ª parte

    
Era setembro. Primavera.
O táxi parou em frente a um sobrado de cor clara com vasinhos de flores coloridas nas janelas; como todas as outras casas e casarões daquela pequena cidade - escondida no interior do interior, num lugarzinho do mapa onde ninguém presta muita atenção - de jardins bem cuidados, pequenos arbustos nas calçadas, portõezinhos de madeira, o céu tão azul, o ar tão puro. Aquela era a Pequenaparis, que tinha até réplica da Torre Eiffel na entrada da cidade. Um lugar ideal para se relaxar, livrar-se do stress que a pressão do seu emprego chato estava lhe causando - trancada o dia todo dentro daquele escritório, com pessoas chatas e mesquinhas, fazendo qualquer coisa para subir na vida, qualquer coisa mesmo. Sem falar nas brigas constantes com a mãe, as provas da faculdade e o seu casamento marcado para o próximo final de semana. Diva precisava mesmo de uns dias de folga, dar um tempo. Estava cansada. De tudo. Da vida até, ela diria se alguém perguntasse, mas não queria que perguntassem. Só estava mesmo procurando um pouco de paz. De alegria, um pouco de sentido para a sua vida tão sem graça.
     Ela olhou novamente o sobrado à sua frente e sentiu o coração bater forte: aquela era a casa da sua avó. A avó que só viu uma única vez, quando tinha dez anos, no enterro do avô, e depois disso nunca mais. Mas agora, onze anos depois queria mudar isso. Queria que a história fosse diferente: antes de ir, escreveu uma carta para avó contando que iria se casar e que gostaria de lhe entregar pessoalmente o convite de casamento, e já que o noivo estava no exterior fazendo um estágio iria sozinha. A avó lhe respondeu por telegrama dizendo que as portas estavam abertas. Diva arrumou as malas, chamou um táxi e saiu sem explicar nada para a sua mãe sobre a viagem, mesmo porque sabia com toda a certeza que sua mãe não lhe apoiaria. Mas como sempre havia pensado: não tinha culpa nenhuma se um dia a avó e a mãe brigaram e não se falavam mais. Ou talvez tivesse como a sua mãe lhe dissera uma vez: se ela não tivesse nascido... Mas não queria pensar nisso agora, não era para isso que estava ali. Sempre sonhou com aquele momento: o reencontro com a avó. Mas a correria do dia a dia e mesmo a falta de coragem lhe impediam de tomar essa decisão. Tinha medo de como poderia ser. De como a avó lhe receberia. Mas agora, não dava mais para voltar atrás. Desceu do carro, respirou fundo enchendo-se de coragem e abriu o portãozinho de madeiras pintadas de brancos, atravessou o jardim florido e tocou a campainha. A porta logo se abriu e uma senhora um pouco curvada pela idade, frágil como uma bonequinha de porcelana, de cabelos grisalhos, alta e bem magrinha com o mesmo brilho nos olhos que vira na primeira vez em que se encontraram e o mesmo sorriso largo e acolhedor lhe recebeu.

     - Diva, minha neta! – e abriu os braços, dando-lhe um abraço confortador.

5 comentários:

  1. Linda história e bom quando revemos pessoas que vimos na infância, e maravilhoso poder dar um abraço caloroso. amei bjos. Marcia de Lima Sousa.

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  2. Parabéns minha flor, vc é muito abençoada! Vou lê esse livro até o fim! Obrigada, Amei bjs!

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  3. Aiiiiiiiiiiiii, que delícia esses comentários!!!!
    Obrigada por me visitar!!!!
    Beijos!!

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  4. Adoroooo! Me sinto privilegiada por já conhecer a estória.....

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  5. Minha irmã, como você não seria uma das primeiras a conhecer se sempre foi uma das pessoas que mais me incentivou?
    Beijos!!!

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